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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um dia cinza...


"Nunca mais abro a janela do meu quarto

Num dia cinza

Sei que o sol fica dormindo atrás das nuvens

Não ilumina

Nem penso muito no que pode acontecer

Enquanto arrumo

Todas as coisas que eu sinto

O meu passado e o meu destino

E espero que o fim da tarde venha com você"

sábado, 26 de junho de 2010




"Dirão, em som,
as coisas que, calados,
no silêncio dos olhos confessamos?"
(José Saramago)

A arte da leitura e o segredo do olhar...


"A leitura é muito mais do que decifrar palavras
Quem quiser parar para ver
Pode até se surpreender:

Vai ler nas folhas do chão,
Se é outono ou se é verão;

Nas ondas soltas do mar,
Se é hora de navegar;
(...)

Na cara do lutador,
Quando está sentindo dor;

Vai ler na casa de alguém,
O gosto que o dono tem;

(...)

E no tom que sopra o vento,
Se corre o barco ou vai lento;

E na pele da pessoa,
E no brilho do sorriso;

Vai ler nas nuvens do céu,
Vai ler na palma da mão,
Vai ler nas estrelas
E no som do coração.

Uma arte que dá medo
É a de ler um olhar,
Pois os olhos tem segredos
Difíceis de decifrar."

(AZEVEDO, Ricardo. )

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago eternizado!


"Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória,
em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”,
saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é
apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já,
Ver na primavera o que se vira no verão,
Ver de dia o que se viu de noite,
com o sol onde primeiramente a chuva caía,
Ver a seara verde,
o fruto maduro,
a pedra que mudou de lugar,
a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados,
para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem.
Sempre."

José Saramago se eternizará em memórias, lembranças, saudades, poesias e vidas entrelaçadas aos seus escritos, pois como ele mesmo escreveu, a viagem não acaba nunca ...

"Sentimentando" Devaneios...


Estranho como a alguns dias, sinto que estou fora da minha frequência.
Queria muito que isto fosse explicado pela fase de TPM, mas o que mais me assusta é que realmente não é isso.

Fico tentando medir palavras, gestos...
Ando olhando e desviando olhares...
Talvez até dissimulando um sentimento que acaba por causar um incômodo EXAGERADO!

O sono, quando vem me carrega para outro mundo, talvez o mais lindo dos mundos... mas ultimamente, ele custa a vir!

Tenho a impressão de que ao mesmo tempo em que estou com a cabeça cheia de ideias, dúvidas, incertezas e assuntos de trabalhos para a faculdade, por exemplo, sinto que ela está oca, vazia!

Isso se dá, pelo meu jeito que acabei por aceitar que mudou.
Ando as AVESSAS...
Ando ao EXTREMO...
Ando na IMPACIÊNCIA...
Sou um vulcão prestes a entrar em erupção!

Tem um amigo, mas amigo de verdade, amigo pelo qual daria minha vida... que até com ele ando meio que as avessas! Olha AMIGO, tu tens razão, estou mesmo mais que crítica, estou EXPLOSIVA. Mas entenda, acabo muitas vezes ignorando, para não explodir... tem pessoas que não posso olhar nos olhos, sei que tu sabes disso, pelo simples fato de elas fazerem algo que não consigo mais suportar!

Mas ao mesmo tempo em que estou explosiva com alguns, tem outras pessoas que nem mesmo conheço, mas me arrancam lágrimas...

Ontem ao sair da faculdade, me deparo com "R", uma pessoa que por algum motivo, que não faço a menor ideia qual, me gerou mais uma vez um sentimento maluco. Uma pessoa que me desperta curiosidade, um sentimento de afeto, e que tenho a singela impressão de algo muito forte nos liga!

Uma pessoa que nem sequer sabe quem sou, uma pessoa que não sei qual os ideais de vida, mas que basta cruzar o meu olhar para prender minha atenção.

Como estava descrevendo, ontem ao sair da faculdade com esse meu amigo amigo mesmo e uma amiga, que também assim se qualifica, me deparo com "R", sentado sozinho, com olhar perdido e triste, vazio..., capuz e uma mochila a espera de seu ônibus..






A impressão que tenho é que a mochila, a inseparável mochila vermelha é a sua vida que carrega nas costas, sua única companhia. O capuz, seu esconderijo, sua casinha... O olhar triste, vazia, ao longe, o pedido de ajuda!

Mas como chegar até ali? O que iria falar, o que ele iria pensar de mim? Qual o meu propósito? Como seria interpretada? Uma louca, que nem sabe bem de onde surgiu querendo lhe estender a mão com a intenção de que?

Ai.. só queria mesmo ajudar, sinto algo forte, como se fosse uma obrigação minha ajudá-lo! Mas acho que quem precisa de ajuda sou eu...

Preciso de um empurrão, uma chance de aproximação com esse ser "R", preciso entender o porque me sinto estranhamente responsável por algo em relação a essa pessoa...

Bom, pra quem teve a paciência de ler até aqui, já agradeço. É mais uma vez, palavras tentando traduzir sentimentos, mas sentimentos reais, de pessoas reais, de uma vida real... Queria muito poder aproximar-me, ajudar, mas também preciso de ajuda.
"R" é um menino-homem que ao mesmo tempo em que se parece auto- suficiente, forte, extrovertido, em algumas situações, mas em outras, mostra sua delicadeza, introspecção, sutileza, sensibilidade, carência talvez.



Enfim, assim sigo: "Sentimentando" Devaneios...


segunda-feira, 7 de junho de 2010



"Só queria que entendesse o que eu sempre te disse, que não importava o tempo que passasse, as pessoas que surgissem, com quem tu estarias (ou eu estaria), o sentimento sempre seria o mesmo...

O teu lugar é aquele e não tem como tirar, porque tu é a peça (a única peça) que se encaixa somente ali..."