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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Será?!






Sobre algo que nem eu mesma sei descrever ou explicar...




Achei uma passagem do livro Divã da gloriosa Martha Medeiros que acho que acaba por explicar meu sentimento...






"Se era amor?
Não era. Era outra coisa.
Restou uma dor profunda, mas poética.
Estou cega, ou quase isso: tenho uma visão embaçada do que aconteceu.
É algo que estimula minha autocomiseração.
Uma inexistência que machuca, mas ninguém morreu.
É um velório sem defunto.
Eu era daquele homem, ele era meu, e não era amor, então era o quê?
Dizem que as pessoas se apaixonam pela sensação de estar amando, e não pelo amado. É uma possibilidade.
Eu estava feliz, eu estava no compasso dos dias e dos fatos.
Eu estava plena e estava convicta.
Estava tranqüila e estava sem planos.
Estava bem sintonizada.
E de um dia para outro estava sozinha, estava antiga, escrava, pequena.

Parece o final de um amor, mas não era amor.
Era algo recém-nascido em mim, ainda não batizado.
E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde de um dia de sol.
Foi como se a praia ficasse vazia.
Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro.
Foi como estar isolada num país asiático, onde ninguém fala sua língua, onde ninguém o enxerga.
Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento.

Quem pode explicar o que me acontece dentro?
Eu tenho que responder às minhas próprias perguntas.
E tenho que ser serena para aplacar minha própria demência.
E tenho que ser discreta para me receber em confiança.
E tenho que ser lógica para entender minha própria confusão.
Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto.

Se não era amor, era da mesma família.
Pois sobrou o que sobra de corações abandonados.
A carência. A saudade. A mágoa.
Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.
Eu bati a 200km/hora e estou voltando a pé pra casa, avariada.

Eu sei, não precisa me dizer outra vez.
Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos.
Talvez seja este o ponto.
Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas.

Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em conto de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar um botão e as luzes apagariam e eu retomaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?

Eu não amei aquele cara.
Eu tenho certeza que não.
Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.

Não era amor, era uma sorte.
Não era amor, era uma travessura.
Não era amor, era sacanagem.
Não era amor, eram dois travesseiros.
Não era amor, eram dois celulares desligados.
Não era amor, era de tarde.
Não era amor, era inverno.
Não era amor, era sem medo.
Não era amor, era MELHOR."

Sou a confusão em pessoa ultimamente!
Amor, amor de verdade não era.
Não por esse, talvez por aquele que tem o dom de surpreender...
Mas mesmo assim dói, mesmo que em comum acordo tenhamos decidido...
Mas também não é palavra de rei...
Porque podemos voltar atrás...
Mas quem será o primeiro a dar o braço a torcer?

Fica a saudade...
Fica o cheiro...
Fica o gostinho de quero mais..
Fica a surpresa...
Fica a ansiedade...
Fica a lembrança de cada segundo...
Fica o respeito...
Fica a admiração...
Fica a amizade e a diplomacia!!!
Fica a mão estendida...
Fica o coração aberto...
SEMPRE... PRA SEMPRE!!!
Fica o eterno segredo!
(...)

Beijus da Violeta...

7 comentários:

Margarida disse...

Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante...

Anônimo disse...

Em comum acordo decidiram tudo, inclusive que não ficarão apegados a essa de não querer ser o primeiro a dar o braço a torcer!

Assim como tu Violeta escreveste, nada, acredito eu, foi proferido como palavra de rei, podem os dois ou somente um voltar atrás.
Sabes que em relação a este, que não tinha o dom de surpreender, poderá esperar ainda muitas surpresas, pois a primeira vez que te surpreendeu com ele foi a vez em que ele te chamou e te contou algumas coisas sobre tua própria vida que ele descobriu sorrateiramente. Isso sim, partindo deste, podes dizer que te surpreendeu. Vais dizer que este não tem o dom de surpreender?!

Pode ser que não seja dele o teu amor, mas saiba que o sentimento mais forte dele é teu! Pode ser que não seja amor, ainda não seja, mas com certeza é muito carinho, admiração, adoração.

Não ficarão somente a surpresa, o segredo,... ficarão as fugidas, as risadas, o medo, os esconderijos, a batida na porta inesperada, as mentirinhas, os passeios, a discrição e acima de tudo a eterna boa e inesquecível lembrança!

Só para finalizar, cito a tão admirada Martha Medeiros:

"Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão."

Anônimo disse...

Esqueci ainda de retrucar a Margarida, citando Saint-Exupéry...
(brincadeirinha... na paz!!!)

"Minha rosa (Violeta), sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. (...) Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa (Violeta)."

PS: quem não leu O Pequeno Príncipe?
Abraço para as duas flores incomparáveis e únicas!

Margarida disse...

Huuummm.. Anônimo citando Martha Medeiros!

=P

Pior que, dessa vez, eu te protegi.. De certa forma, temos que te agradecer.. Por tê-la feito bem, ter cuidado dela enquanto nós dois somos ausentes.. isso é que nos importa!

Violeta disse...

Mas eu mereço!!!
Agora preciso de alguém a me cuidar.. heheh

Citações, citações... Pontes de Miranda, Martha Medeiros, Saint-Exupéry... muito cultos vocês! Assim meu blog acaba por ficar muito chique mesmo...

"É preciso que se suporte duas ou três larvas para que se possa conhecer as borboletas...!"

"Tu te tornas eternamentente responsável por aquilo que cativas!"

Vocês me cativaram, agora não podem me abandonar assim tão facilmente.


Amo vocês minhas larvinhas... heheh

Margarida disse...

Viu?! Por isso que temos que te cuidar... vá que tanta borboleta no estômago te leve pra outro lugar?!?!?! hehehe

Violeta disse...

Bem que queria que essas borboletas todas do meu estômago me levassem pra algum lugar...