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terça-feira, 4 de maio de 2010

Inspiração e Nietzsche




Minha vida está um tanto corrida e conturbada, meu humor oscilante acaba por me deixar sem inspiração e me leva a um estado de loucura inexplicável.

Por falar em inspiração, lembrei-me de um trecho da introdução do livro de Nietzsche "Assim falou Zaratustra":

"Haverá alguém, no fim do século XIX, que tenha um conceito claro daquilo que os poetas do velho tempo chamavam inspiração? Caso não, quero descrevê-lo. C
(...)
Um arrebatamento cuja tensão se resolve numa crise de lágrimas, e durante o qual o passo ora involuntariamente treme, ora se torna lento; uma perfeita extrinsecação com a mais distinta consciência de infinitos calafrios sutis e tremores até a ponta dos pés; uma profundidade de alegria na qual o que existe de mais doloroso e mais escuro não age como contraste, mas como uma tinta, exigida e necessária, em tamanha exuberância de luz, um instinto de condições rítmicas estendido sobre o grande espaço das formas (o comprimento, a necessidade de um ritmo mais amplo, é como a medida para a força de expressão, uma espécie de compensação pela sua pressão e sua tensão).
(...)
Aqui todas as coisas chegam acariciantes à tua palavra e te engodam, pois querem cavalgar sobre o teu dorso. Por essa similitude tu cavalgas a essa verdade. Aqui se te revelam as palavras de todo o ser e os escrínios secretos das palavras; toda existência quer aqui transformar-se em palavra, todo porvir, quer aprender contigo a falar. Esta é a minha experiência da inspiração; não duvido que se deva remontar séculos para achar alguém que me possa dizer: é todavia a minha."

Lendo Nietzsche, o sábio, o poeta, o filósofo,... em busca talvez, de inspiração ou tentando conceituar A MINHA, quem sabe apenas, em busca de um pouco mais de loucura!



Um comentário:

Gean Michel Nisus Figueira disse...

eu estava procurando por essas palavras !