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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O bloqueio pelo Direito Civil e a paixão pelo Direito Penal...


"A paixão pelas ciências criminais, que pode ser identificada nos olhos dos alunos nos primeiros dias de aula na Faculdade de Direito, invariavelmente é explicada, na esteira da epígrafe de Roberto Lyra*, pelo pulsante conteúdo das investigações, pelo envolvimento da matéria com o trágico do humano.

Durante o longo período do aluno na graduação, além do direito penal, talvez apenas o direito de família apresente problemas tão forte desde o ponto de vista dos afetos, problemas que envolvem enormes cargas de emotividade e que ultrapassam a discussão entre as partes em conflito, transferindo-se aos operadores do direito. Rompidos estes limites, o profissional submerge no caldo cultural que o constitui e nota que a pureza do direito é limitada apenas aos que renegam a vida e a condição humana do humano." (CARVALHO, Salo de. Anti Manual de Criminologia. 3ª Ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. p. 3)





Talvez essa aproximação com o humano, a relação de emoção, afeto, o sentimento de revolta com cenas como a da foto acima, a situação em que pessoas vivem e são tratadas (como bixos, lixos) ... que me despertem essa paixão pelo Direito Penal, e ao mesmo tempo, a vontade de querer mudar, de fazer algo, de (re) pensar, pois ao mesmo tempo que me apaixono, me revolto com as situações.
O direito civil, como já citei em outra , postagem, é algo muito complicado, sou bloqueada! Pelo menos, na maioria das áreas, exceto família, conforme explicita o prof. Salo, o Direito Civil é algo frio! Movido pelo capitalismo, pelo consumismo, pelo materialismo da posse, propriedade, contratos, obrigações, ... onde está o lado humano, disso tudo?

Talvez seja mesmo essa frieza do Direito Civil que me bloqueie...

Esse semestre, em especial, o Direito Penal pra mim foi algo mais que gratificante e devo isso ao professor Daniel. Acho até que posso dizer isso em nome da turma, porque deixamos de ser "macaquinhos" e saímos do bláblábla (como ele mesmo diz), passamos a interagir, questionar mais e mais, discutir e não ficar só naquilo que o livro diz. Ele despertou, em muitos pelo menos, o gosto pelo pensar!

Bom, semestre que vem, que venha o Processo Penal!

Diz o ditado que aprendi logo que entrei na faculdade: "todo aluno se apaixona por Direito Penal, mas acaba casando com o Direito Civil!". Acho que tenho grandes chances de ser mais uma exceção... no máximo posso casar com o Processo Civil...


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