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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ando sem tempo, numa correria sem tamanho, atordoada e cheia de trabalhos e provas da faculdade!

Quem me conhece sabe que odeio fazer as coisas de qualquer jeito. As provas nem tanto, mas os trabalhos, faço sempre para tirar a nota máxima, mas desta vez, fiz esse ensaio, mais um para a disciplina de Direito Penal V, mas do fundo do meu EU, achei bem e sem conteúdo.

Não quero ficar arrumando desculpinhas, mas pelo menos sou realista, fiz mesmo só para não ficar sem entregar um trabalho e olha que nem estou no "jus esperdiandi" , mas acho baita falta de consideração não entregar trabalho, mas também é muito ridículo entregar coisa...


Laranja Mecânica e a descrição de uma sociedade futura?

Um adolescente de 14 anos, bonito, olhos azuis, aparentemente de classe média. Só por esta descrição, já me vem a primeira e talvez a única afirmação: Cesare Lombroso jamais incluiria Alex, o personagem principal do filme, em seu rol de criminosos, pois este, aparentemente não se encaixa nos moldes lombrosianos de criminoso em potencial!



Um filme de 1971, que acaba por relatar aspectos de uma sociedade futura.

Alex, um adolescente que extrapola os limites para satisfazer sues desejos e sentir prazer. Um prazer oriundo não só do sexo, mas da violência e do sentimento de superioridade, autoritarismo.

No início do filme, a cena do discurso chocante do velho bêbado que reclama da vida e ao invés de suplicar por sua própria vida, admite o cansaço e a falta de esperanças em uma sociedade que ele julga sem respeito, sem valores e de um mundo de péssimo cheiro de discriminação e preconceito.

O imagem da família de Alex, ou melhor, a “não” família, representada pela mãe, figura da sociedade fútil e consumista, demonstrada em suas roupas e acessórios coloridos; e um pai omisso, medroso e sem atitude. A(não) família que não conhece o próprio filho, que não tem diálogo com o adolescente de comportamento estranho e agressivo que criaram. Não sabem como agir com Alex, não sabem o que esperar dele, e por isso o deixam na mão do Estado, na tentativa de uma mudança de comportamento, porém na base da repressão, da ameaça, do não diálogo e da violência.

As duas faces da violência!!!

O Estado procurando formas de reprimir a violência com penas que hoje são utilizadas em nossa sociedade, ou seja, casas de detenção, com segurança “severa” e de um autoritarismo revoltante, porém sem efetivos resultados, pois o que demonstra no filme é que no tempo ocioso, em que vivem os detentos é que (re)pensavam no prazer que a violência ou o crime lhes causavam, como na cena em que Alex, aparece da casa de detenção, com o “livro grande” em sua frente e vivenciando as cenas ali descritas, ele se delicia, perde o olhar ao longe e demonstra uma paz profunda... Estava ele a sentir o prazer que a violência lhe proporcionava!

O tratamento pelo qual passou é na base da violência, da tortura... podia até ser que jamais voltasse a cometer algum crime, mas com certeza, não seria por livre consciência de que seu ato seria lesivo à sociedade, que estaria por praticar o mal à alguém, mas sim pela dor que sentia, pelas náuseas, pela dor física, ou seja, não praticava tais atos, para se auto proteger da dor. Lavagem cerebral que ocasiona dor e revolta naquele que causava dor e revolta à sociedade, um método de “reformar” o jovem transgressor em potencial e um método de resposta à sociedade.

Violência, abusos, repressão, arbitrariedades, discriminação tanto da sociedade, quanto de Alex e sua gang. Fica evidente a vontade de demonstrar superioridade de ambas as partes, tanto nas atitudes de Alex enquanto chefe da gang e depois, como detento e como jovem em tratamento de recuperação; assim como na cena em que os policiais (representação do Estado), (ex)transgressores da trupe de Alex, o recolhem e o torturam. O meu sentimento é que a superioridade, o desejo de ser mais, de ser o melhor, o maior, o chefe... o desejo de burlar ou transgredir as leis e sentir prazer a custa do que for era o objetivo da época e que ainda se vê hoje.

Como demonstrado no filme, por isso, uma descrição de uma sociedade futura, é porque ainda vivemos nesta sociedade do consumismo, da futilidade, das duas faces da violência... do não diálogo, da não família. Continuamos a viver em uma sociedade que acredita que a repressão e a detenção é o caminho mais fácil e mais efetivo para a não violência, para o fim dos crimes e que espera e acredita na resposta singela, e porque não dizer, medíocre do Estado.

Do filme, ficam músicas, frases, cenas, cores e não cores, métodos e incertezas pulsando no meu EU!


Bom, esse foi o ensaio que entreguei, agora vamos lá, seja o que o Daniel entender... heheh


2 comentários:

Margarida disse...

Nem me fala nesse filme!!!
Fiquei com medo pulsando no meu EU, isso sim! hehe

ainda hoje falávamos que a Holanda era a "Laranja Mecânica" sobre a Seleção. tsc tsc tsc

Violeta disse...

tsc tsc tsc..
Bah guria.. tive que espremer essa laranja pra sair alguma coisa pra eu escrever...
Pior que veio tanta coisa, mas não podia me alongar.. ai ficou nessa coisinha mesquinha e pobrinha... mas até que rendeu!

Saudades de ti amiga!